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Com o telhado destruído por temporal em julho, morador de SP tenta sacar o FGTS calamidade há um mês e tem pedido negado seis vezes

Morador que teve telhado destruído por temporal em Ribeirão Preto teve FGTS calamidade rejeitado 6 vezes O telhado da cozinha do segurança João Marques Alve...

Com o telhado destruído por temporal em julho, morador de SP tenta sacar o FGTS calamidade há um mês e tem pedido negado seis vezes
Com o telhado destruído por temporal em julho, morador de SP tenta sacar o FGTS calamidade há um mês e tem pedido negado seis vezes (Foto: Reprodução)

Morador que teve telhado destruído por temporal em Ribeirão Preto teve FGTS calamidade rejeitado 6 vezes O telhado da cozinha do segurança João Marques Alves, de 59 anos, caiu na madrugada de 24 de julho, quando um vendaval com ventos de até 160 km/h atingiu Ribeirão Preto (SP). Quase dois meses depois, ele ainda não conseguiu pagar o conserto. Na última semana, com as fortes chuvas, a casa voltou a alagar, problema que moradores da comunidade Locomotiva descrevem como rotineiro. O dinheiro que resolveria parte disso é dele: está parado na conta do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e pode ser sacado por quem teve o imóvel atingido pelo temporal. João fez o pré-cadastro na Prefeitura, mas não consegue concluir o pedido no aplicativo da Caixa Econômica Federal. A primeira solicitação é de 14 de agosto. Diante das negativas, ele procurou a Prefeitura e recebeu, em 25 de agosto, uma declaração assinada por uma assistente social atestando que mora em área afetada pelo vendaval, justamente para anexar ao aplicativo. Mesmo com o documento, os pedidos seguiram sendo recusados. A solicitação aberta em 2 de setembro foi indeferida em 9 de setembro com uma justificativa que contradiz o papel do município: segundo a mensagem registrada no aplicativo, "o endereço apresentado não consta na relação de áreas atingidas, informada pelo município". São seis tentativas entre 14 de agosto e 9 de setembro, nenhuma liberada. Faça parte do canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp Morador que ficou sem telhado após temporal de 24 de julho não consegue sacar FGTS em Ribeirão Preto Arquivo Pessoal A situação ficou ainda mais complicada devido à greve nacional dos empregados da Caixa, iniciada em 10 de setembro e que continua por tempo indeterminado. A Prefeitura confirmou ao g1 que João fez o pré-cadastro e afirmou que o indeferimento pode estar relacionado a algum problema no cadastro ou no próprio aplicativo. A Caixa informou que não é possível apurar o caso enquanto durar a paralisação. O Saque Calamidade é limitado a R$ 6.220 por trabalhador e depende do saldo disponível na conta do FGTS. Em Ribeirão Preto, o prazo para solicitar termina em 23 de outubro. "Não tenho mais o que provar" João trabalhava na madrugada do temporal. Mora com a mulher e as duas filhas. "Eu estava trabalhando no momento que caiu o telhado lá em casa. Minha mulher ligou desesperada para mim, porque eu tenho criança pequena", conta. Segundo ele, parte das telhas despencou sobre a cozinha, o vento arrancou o resto e a chuva entrou. "Perdi tudo." Coordenador-geral da Associação Pró-Moradia Cidade Locomotiva, ele diz que se cadastrou quando equipes da Prefeitura passaram pela comunidade distribuindo telhas, água e cestas básicas. Depois das primeiras negativas, afirma que voltou a procurar órgãos municipais até ser encaminhado à assistente social que assinou a declaração. Com o documento, voltou a tentar. "E nada. E indeferido, indeferido, indeferido", relata. "Eu não tenho mais o que provar. O que eu tenho que fazer?" O valor sairia da própria conta do FGTS e seria usado para pagar pedreiro e comprar material, diz. "Os recursos aqui são poucos, a gente só tem o salário de quem trabalha." Ele afirma que outros moradores da comunidade enfrentam o mesmo problema. "Eu ajudo todo mundo. Quando é para eu ser ajudado, eu não consigo", desabafa. Morador da comunicade Locomotiva em Ribeirão Preto, SP, tem FGTS calamidade negado 6 vezes Reprodução/Arquivo Pessoal Leia também Saque calamidade: veja como retirar FGTS após temporal com ventos de até 160 km/h na região de Ribeirão Preto Empregados da Caixa rejeitam proposta final e greve continua Enchente causada pelas chuvas afeta 1,2 mil moradores da Locomotiva em Ribeirão Preto, SP Declaração de residência A declaração de residência emitida em 25 de agosto cita o decreto municipal que reconheceu a situação de emergência em 24 de julho e a portaria federal publicada no Diário Oficial da União no dia seguinte. O texto afirma que o morador é "residente em área afetada por Vendaval" e informa o prazo de 23 de outubro para pedir o saque. Depois de receber a declaração, João abriu novas solicitações em 28 de agosto, 2 e 9 de setembro. A de 2 de setembro é a que aparece indeferida uma semana depois. A mensagem do banco orienta o trabalhador a procurar a Prefeitura e, após a regularização, abrir nova solicitação — caminho que ele já havia percorrido antes de conseguir o papel. A comunidade da Locomotiva tem sofrido com alagamentos ao longo dos anos. Em dezembro do ano passado, 1.250 moradores da comunidade foram afetados pela chuva. Greve travou o atendimento duas vezes Segundo João, ele registrou uma reclamação em uma agência e ficou de ser atendido no dia 10 de setembro, mesma data em que começou a paralisação. A greve teve início depois que os trabalhadores rejeitaram uma proposta de renovação do Acordo Coletivo de Trabalho. Em 11 de setembro, uma nova proposta, apresentada pelo banco como final, foi novamente rejeitada: na base do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, 68% votaram contra. A Caixa informou anteriormente que os clientes podem continuar usando canais digitais e remotos, como o App Caixa, o Internet Banking, o WhatsApp Caixa e o Caixa Tem, além de caixas eletrônicos, lotéricas e correspondentes Caixa Aqui. Greve de bancários da Caixa Sindicato dos Bancários/Divulgação Como funciona o Saque Calamidade Prefeitura: faz o pré-cadastro, identifica os imóveis atingidos, confere a documentação e encaminha à Caixa apenas os cadastros considerados aptos. Caixa: analisa e homologa os endereços recebidos do município. Trabalhador: só depois da homologação consegue concluir o pedido pelo aplicativo FGTS e acompanhar o resultado por lá. O pré-cadastro em Ribeirão Preto ficou aberto entre 3 e 8 de agosto, presencialmente e pelo portal da Prefeitura. Na ocasião, a Prefeitura informou que as equipes identificaram cadastros com inconsistências, fotos incompatíveis com o endereço informado, imagens produzidas por inteligência artificial e registros que não comprovavam os danos, e que essas solicitações não seriam encaminhadas à Caixa. O município também informou que publicaria no Diário Oficial os endereços com pendências, com prazo para regularização. Quando liberou o saque, em agosto, a Caixa comunicou que o benefício valia para quem morasse nos endereços de uma primeira lista habilitada pelo banco e que "novos endereços poderão ser incluídos à medida que forem encaminhadas ao banco atualizações das áreas afetadas identificadas pelo município". Comunidade da Locomotiva tem sofrido com enchentes constantes em Ribeirão Preto, SP Arquivo Pessoal O temporal de 24 de julho O vendaval que atingiu Ribeirão Preto na madrugada de 24 de julho teve ventos de até 160 km/h, segundo medições do Instituto Agronômico (IAC), e deixou um homem de 75 anos morto, atingido pelo desabamento de um galpão sobre a casa onde dormia. Segundo ofício da Prefeitura, o temporal deixou 1,8 mil pessoas desalojadas e 12 desabrigadas, derrubou cerca de 1,3 mil árvores, danificou ao menos 26 escolas municipais e destruiu o Centro Pop, unidade de assistência social do município. A rede elétrica chegou a ficar 100% fora do ar no auge da tempestade, e o sistema de água ficou 80% inoperante. Além de Ribeirão Preto, a Caixa liberou o Saque Calamidade para moradores de Dumont, Guariba e Taquaritinga. Carro destruído ao ser atingido por imóvel que desabou em Ribeirão Preto, SP, durante temporal Redes sociais Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão e Franca Vídeos: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região